Foco no Focus | Recado do Economista

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Os economistas são os típicos profetas do passado, os reis em dizer “era claro que iria acontecer tal coisa” após já ter acontecido.

Há uns que vão mais além e falam “eu já vinha avisando isso há alguns anos”.

Tudo normal em uma profissão em que o ego, a vaidade e as crenças parecem ser mais importantes que os fatos. E não é à toa que os economistas preferem prever uma tragédia do que pensar em algo produtivo para o país.

Acertar até acertam às vezes. Assim como um relógio quebrado acerta duas vezes ao dia.

Sou economista, mas não gosto de previsões. Ainda mais sobre o futuro. Me conforta muito mais tomar decisões sabendo que nada sei sobre o futuro.

Mas acontece que são os economistas (principalmente os ‘de mercado’) que são os mais ouvidos, mesmo errando sistematicamente.

E são as opiniões deles que regem as decisões da maioria, ao menos no curto prazo: quando eles preveem risco, todos se recolhem; quando preveem euforia, todos querem ir para festa.

Há duas semanas os economistas de mercado têm projetado um crescimento econômico cada vez menor para o Brasil em 2018.

Se há algumas semanas parecíamos crescer 3% em 2018, o Relatório Focus de segunda trouxe uma revisão para baixo na expectativa, de apenas 2,51% de crescimento.

A guerra comercial entre EUA e China, a turbulência do peso argentino e a incerteza com as eleições (faltam 144 dias!) são a justifica para esse passo para trás.

E aqui mora um problema: toda aquela euforia na expectativa de um bull market que havia ano passado parece ter virado apreensão e nervosismo. Bolsa em baixa, ações do segmento do varejo caindo forte em menos de um mês…

…infelizmente a história se repete e as pessoas acabam tomando suas decisões baseadas na previsão de meia-dúzia de meteorologistas.

Será que é para tanto?

O bom velhinho Warren Buffett, e quem sou eu para discordar, diz que se há medo instaurado, é hora de ser corajoso e ir às compras.

Nunca é demais lembrar que as decisões mais frágeis são tomadas quando tudo parece estar sob controle.

Nada está (nem nunca vai estar) sob controle, mas quem estiver plantando agora, vai colher uma safra recorde quando menos esperar.

Talvez não possa discordar que as coisas não vão bem, mas hoje vivemos um cenário em que temos pouco a perder e muito a ganhar.

Não temos a dimensão do quão forte vai ser o próximo ciclo de alta da bolsa brasileira.  

Um abraço e até semana que vem.

Ps.: Hoje o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para decidir os rumos da taxa Selic. A sinalização dada pelo colegiado é de que teremos uma queda de 0,25 pontos percentuais na taxa e que encerraremos o ciclo de queda por aqui, nos 6,25% ao ano.

Ps2.: Sexta-feira (18/05) completa um ano do Joesley Day, quando a bolsa caiu mais de 10% em um único dia. Que coisa boa se tivéssemos um dia como esse novamente.

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.