3 grandes segredos dos milionários suíços que você pode adotar agora mesmo

Tempo de leitura: 11 minutos

Dizer que 2016 foi um ano traumático é um grande eufemismo. O Brasil passou por imensas dificuldades na economia e na política. E os sinais para 2017 não são bons. Aqui dentro, temos os poderes Judiciário e Legislativo às turras, enquanto o Executivo se acanha, apequena. E se nos Estados Unidos os Republicanos e a turma do “deixa disso” não conseguirem colocar Trump no cabresto, são esperadas chuvas e tempestades no mercado internacional.

Então, o melhor é jogar a toalha, parar de investir e reconhecer que em 2017 você vai ter que usar o dinheiro que tem para sobreviver? Nada disso! Mesmo em períodos mais difíceis, as regras da economia continuam a valer. Existem vários livros que o ajudam nesse sentido. E um dos mais poderosos é, sem dúvida, Os axiomas de Zurique.

É um livro recente, escrito em 1985, mas que só chegou ao Brasil em 2006. Seu autor, Max Gunther, nasceu na Inglaterra, onde começou a trabalhar no mercado financeiro. Foi transferido para a filial de Nova Iorque do banco em que trabalhava, formou-se em jornalismo e passou a colaborar com jornais e revistas. Publicou vários livros, entre eles Os axiomas de Zurique, no qual pretendeu desvendar os segredos que fizeram da Suíça um país rico, de cidadãos ricos (pois não faltam exemplos de países ricos com habitantes pobres, e vice-versa).

suiça

Segundo Gunther, nem mesmo os Estados Unidos seguem a receita de riqueza da Suíça. No país que prega a oportunidade para todos, o ensino do empreendedorismo é falho. Na televisão e em muitos livros, o empreendedor é visto como o sujeito que teve a grande ideia, fez dessa ideia um produto ou serviço, e ficou multimilionário.

Mas o sonho americano da grande ideia é para poucos. Existe aquela pessoa que fez uma rede de oficinas mecânicas que não tem nenhum diferencial, mas é extremamente bem administrada, entre outros exemplos. Esse tipo de pessoa não aparece no jornal. Nem o profissional liberal médio, ou o grande gerente, que conseguem administrar o próprio dinheiro com maestria e conquistam uma vida confortável. Essas pessoas, mesmo sem saber, seguem boa parte dos axiomas de Zurique.

O próprio autor afirma que não se trata de uma viagem simples ou agradável. Logo de cara, o primeiro axioma descreve o que vem por aí: “se você não está preocupado, não está se esforçando o bastante.” Preocupação com onde está sem dinheiro, com sua carreira, é algo saudável.

Bom, há muito com o que se preocupar em 2017, e ninguém tem as respostas. Mas existem três axiomas, três fatores nos quais você pode se apoiar:

1 – ESPERANÇA

Você conhece o mito de Pandora? Ela teria sido a primeira mulher criada pelos deuses, a quem foi dada uma missão: tomar conta de uma caixa – ou jarro, conforme a tradução. Pandora abriu o invólucro, soltando todas as doenças e desgraças no mundo. Só ficou uma coisa lá no fundo, que podia ser tanto uma bênção como uma maldição: a esperança.

E é assim que Gunther descreve esse comportamento do investidor: pode tanto ser uma coisa boa quanto algo muito ruim. Fazemos um investimento e o resultado não é o que esperávamos. Começamos a perder dinheiro. Então, o que a maioria de nós faz?

Exatamente. Nada.

Nos agarramos na possibilidade de haver uma reversão. O mercado imobiliário vai aquecer, vai ter uma praga agrícola que afeta todos os países menos o Brasil, aquela empresa vai passar de envolvida em escândalos de corrupção à mais socialmente responsável das Américas. Se isso não acontecer neste mês, acontece no outro. E assim se passam meses e anos. Se antes o investidor não agia com medo de perder algumas centenas de reais, agora a conta já está nas dezenas de milhares. E o buraco continua aumentando.

Gunther dá um exemplo perfeito para esse comportamento: um jogo de pôquer. Toda semana tem pelo menos um campeonato passando na televisão. Dê uma olhada e o que mais você vai ver são jogadores jogando fora cartas consideradas boas. Pares de dez. Rei e Valete. Cartas que, somando com as da mesa, dariam uma vitória folgada. Mas os jogadores profissionais as jogam fora e saem da jogada.

O motivo? Porque são jogadores profissionais. Analisam os adversários, a quantidade de fichas, o ambiente, as cartas na mesa e decidem que não vale a pena continuar arriscando, e é melhor perder as poucas fichas já lançadas e aguardar a próxima rodada. O jogador amador, ao contrário, “sabe” que se a carta que ele espera não vier nas três do flop, virá no turn. Não veio. Lógico, a carta aparecerá no river, e ele ganhará ainda mais fichas.

Mas não vem.

Esse comportamento é comum no ser humano

É extremamente difícil reconhecer que se está errado, engolir o orgulho e desfazer o investimento. Aceitar perdas pequenas antes que elas se tornem grandes.

Sempre pensamos que a virada está logo ali, ao nosso alcance. Basta abrir qualquer rede social para ser inundado de memes e histórias sobre as virtudes de persistir, insistir, fazer um esforço a mais. Mas nenhum esforço que você fizer será capaz de mudar uma tendência de mercado, ou de mudar os rumos de uma empresa mal administrada. Orações, simpatias e oferendas a Warren Buffett também não alteram a situação – e nem as perspectivas. A única coisa que você pode pedir ao sobrenatural é discernimento para identificar quando um investimento não trará o resultado desejado e coragem para sair dele.

O primeiro item é extremamente difícil de ser conseguido. Todos sofremos com o viés de confirmação. Ou seja, temos uma ideia e tudo o que vemos parece nos dizer que estamos certos. A grande maioria interpreta as notícias sobre seus investimentos como boa, não importa o que ela traga. Mas o inverso também é verdade. Existem os alarmistas, para quem qualquer unha encravada do dono da empresa é um sinal para vender aquelas ações. É extremamente difícil encontrar o ponto certo em que as más notícias se tornam tendências irreversíveis e cair fora. Se você se sentir mais seguro, espere um ou dois meses, para ter certeza de que o problema é realmente tão grave como parecia. Mas não adie a decisão muito mais do que isso.

— Ah, mas eu vou perder dinheiro.

Vai mesmo? Vamos imaginar que você comprou uma ação por R$ 100, aconteceu um grande problema na empresa e você vendeu dois anos depois por R$ 60. Mais uns meses, ela atinge o ponto mais baixo, passando a valer R$ 25.

Primeiro, você pode ter recolhido os dividendos da empresa nesses dois anos. Em segundo lugar, você tem agora R$ 60 no bolso, que pode usar para investir em outros lugares. Ao insistir, você teria a promessa de R$ 25, um dinheiro que está lá, naquela empresa, ou no banco, ou na financeira. Em qualquer lugar menos em seu bolso. O segredo para encontrar esse ponto para deixar de investir é fácil de explicar, difícil de cumprir.

Portanto, estude, informe-se. A cada trimestre as empresas apresentam seus relatórios. Analise-os com cuidado. Se preferir, crie também alertas nas páginas de notícias. É algo simples de fazer, e sempre que o nome da empresa na qual investe for citado, você ficará sabendo. Não é necessário se tornar um paranoico e agir a cada fofoca no noticiário, mas não deixe de saber o que acontece com aqueles que usam o seu dinheiro.

2 – PREVISÕES

Com as bombas diárias na economia e na política, não são poucos os especialistas recorrendo a variações da frase “se você sabe o que está acontecendo, então você não está prestando atenção”. De fato, temos notícias e algumas tendências sobre o que vai acontecer no próximo ano, mas saber, com certeza, que setores serão mais beneficiados e quem irá perder, quais são os investimentos mais adequados, isso ninguém poderá dizer. É o tipo de cenário tão complexo –  e com tantas variáveis que nunca apareceram antes – que um periquito de realejo pode acertar mais do que um economista experiente.

Gunther mostra que isso não é falha dos especialistas de hoje. Desde sempre os experts da economia erraram. Ninguém previu o crash da bolsa de 1929, e conta-se nos dedos os nomes que alertaram sobre a bolha imobiliária de 2008. E isso durante épocas relativamente normais da economia, sem as variáveis de hoje. Sem crises internacionais, sem traumas.

Vamos deixar algo claro: existem alguns charlatões nessa área, que fazem “previsões” do tipo: “Em 2017 uma empresa importante irá lançar um novo produto ou serviço” ou “na primeira metade do ano, muito se falará sobre a Petrobras.”  

E também existe a maioria, composta de pessoas competentes e bem-intencionadas. São sérios e sabem aplicar seus estudos. É que a grande maioria é especialista em economia, tendências, negócios. E o mercado não é feito disso.

Não, o mercado é feito de pessoas. E pessoas são imprevisíveis. Já falei um pouco sobre o assunto quando escrevi sobre o efeito manada.

Gunther diz que a bolsa de valores, por exemplo, é praticamente um teatro, onde as emoções humanas mandam. Entre as análises gráficas e fundamentalistas, falta a análise das multidões, a análise de pessoas.

E se os analistas não são confiáveis (também falei sobre isso aqui), como você pode escolher seus investimentos?

Gunther sugere que você tome a iniciativa e acredite em suas análises, em seus estudos. Escolha a ação que mais lhe agrada por motivos sólidos, e estude sempre. Suas escolhas serão as mais apropriadas para seu estilo e personalidade. Só não se esqueça de ficar de olho e não ter medo de abandonar o barco quando for necessário.

3 – INTUIÇÃO

Sim. É a sua opinião que deve ser seu guia principal em seus investimentos. Mas opinião não é a mesma coisa que palpite, chute, ou achismo. É algo difícil de ser explicado. Vejamos, o que você faz bem? Mas bem, mesmo. Talvez você seja o fera no futebol do final de semana, ou conheça alguém que o seja. Ao assistir um jogo na TV, você ou essa pessoa consegue dizer quando uma jogada vai até o gol e quando logo vai ser desarmada. E, como falei antes, o jogador profissional de pôquer muitas vezes joga fora cartas que o amador apostaria… e perderia muitas fichas. Por quê? Algumas vezes, o profissional não sabe explicar. O mesmo se aplica aos melhores investigadores dos Estados Unidos. Para identificar notas falsas, eles passam meses estudando as notas verdadeiras. Podem não conseguir definir com palavras o motivo pelo qual identificaram uma falsificação, mas, na maioria das vezes, estão certos.

A intuição que Gunther fala é essa, resultado de muito estudo, de acompanhar seus investimentos, de aprender como lidar com o dinheiro no cotidiano. Você pode gostar de uma ação sem saber muito bem o motivo, mas se está investindo há algum tempo, existem muitas chances de você estar certo. O autor apenas diz que esse tipo de investimento não deve dominar seu portfólio.

Você também não deve confundir a intuição com a esperança. A esperança não tem motivo nenhum de ser. A intuição pode montar o quebra-cabeça no subconsciente, mas todas as peças estão no seu consciente. Não procure um motivo sólido. Intuição não tem isso, mas você deve ser capaz de listar alguns indícios em sua mente. Se puder listar um ou dois, você tem uma intuição. Se não for capaz de encontrar um – e não adianta inventar – trata-se de uma esperança.

  • ASouza Melo

    Excelente texto!!!!!!!Gosto de suas explicações porque aponta quem é o responsável pelo sucesso ou fracasso de uma ação: EU! E você oferece os caminhos para perseguir a excelência das conquistas, além de utilizar vários exemplos de outras áreas do conhecimento compondo um leque de analogias bem definido para exemplificar atitudes positivas. Parabéns, Sr. Fogaça!!

  • Olá André.

    Eu tenho o livro “Os Axiomas de Zurique” como cabeceira e guia definitivo para minhas operações. Mas preciso entender uma coisa: a sua visão(André) sobre o mercado de ações vai totalmente contra os princípios que existem no livro. Digo isto pois, o próprio autor, considera “especulação” e “investimento” como a mesma coisa, visto que existe incerteza em qualquer horizonte. Não vai um pouco contra sua proposta de atuar na Bolsa?

    O viés do Max é fazer lucro em qualquer situação, evitar diversificação e não embasar tanto as “especulações” em gráficos, fundamentos ou outras informações. Esse livro é considerado para quem gosta de atuar com Day Trade. A estratégia mais arrojada inclusive foi o que possibilitou com que a Suíça conseguisse ser um país de primeiro mundo, mesmo sendo pequeno, e totalmente limitado em recursos.

    Pondo essa discussão a parte, parabéns pelo artigo e por sua visão frente a sua proposta. Gosto muito de seus artigos e eles me ajudaram a perder o medo de investir e ser mais pragmático.

    Continue esse trabalho. O Brasil precisa de mais pessoas investindo na Bolsa, pelo bem delas e do próprio país.

  • Vinícius Lourenço Santos

    teste

  • Jorge E Oriana Serpa

    Muito bom como sempre!!! Quanto mais informação para que se possa ser um auto investidor melhor para a saúde das próprias finanças e para uma vida mais tranquila no futuro. Parabéns!!

  • Juan FX Clube

    Um outro axioma muito interessante que ele comenta no livro é de nunca esperar esperar um lucro chegar no teto. Dependendo do mercado voce pode sofrer um revés do investimento e ter prejuízos.

  • Valdemir Rondino

    Ola André, otimo artigo, será me muito util …